Por que colocar um plástico no cartão magnético faz ele funcionar?

Algo que ocorre frequentemente, as vezes você vai utilizar algum cartão com tira magnética e ele falha. E ao colocarmos um plástico no cartão ele funciona. Já parou para se perguntar por que isso acontece?

Resposta resumida e menos técnica:
O mecanismo do cartão de débito com tarja magnética é exatamente igual ao de um disquete ou vídeo/fita cassete.
A tarja magnética é feita de um material químico que pode ser magnetizado, e quando passamos o cartão na máquina há um “cabeçote” que lê e interpreta esse campo magnético, transformando isso em informação (bits).
O problema é que a tarja envelhece, e acumula “sujeiras” que geram “campos magnéticos de background” causando interferência nos campos magnéticos da tarja.
Os “cabeçotes” mais modernos são muito mais sensíveis que os antigos, e ao tentarem interpretar a informação da tarja, falham por causa dessa sensibilidade extra e da interferência das “sujeiras” .
A explicação física para usar o plástico é a seguinte:
O campo magnético das “sujeiras” tem curto alcance, e o campo magnético da tarja tem longo alcance. É por isso que ao colocar um plástico na frente, a pessoa simplesmente aumenta a distância entre o “cabeçote” e a tarja, de forma que os campos das “sujeiras” não alcancem o “cabeçote”. É o mesmo princípio físico das antenas

Abaixo uma explicação mais técnica para quem tiver interesse:

1) Mecanismo de funcionamento do cartão de débito

A tarja magnética do cartão é feita de um óxido ferromagnético, e são feitas tiras micrométricas espaçadas de maneira homogênea. Cada uma dessas tiras é magnetizada em uma polarização diferente, criando um sistema com informação codificada. Na máquina onde se passa o cartão, há um cabeçote que nada mais é do que um transdutor, ou seja, um mecanismo que transforma uma forma de energia em outra, no caso energia magnética em energia elétrica. O cabeçote é feito de material ferromagnético, e constituído em forma de uma bobina toroidal, contendo um preenchimento de material paramagnético.

Quando passamos o cartão, o campo magnético da tarja entra em movimento, e segundo as Lei de Ampere e de Faraday, isso gera uma corrente induzida, na bobina toroidal, que é armazenada em um capacitor, e processada por transistores em um circuito, transformando a corrente em bits, que são interpretados pela placa lógica do equipamento.

2) Explicação Física

Com o tempo, o óxido da tarja magnética libera resíduos, e alguns átomos saem das tiras que contém os campos magnéticos induzidos. Esses átomos apesar de possuírem um campo magnético muito fraco a longas distâncias, possuem uma intensidade razoável a curtas distâncias. Em resumo, esses átomos se comportam como dipolos magnéticos e seus campos magnéticos caem em intensidade com o inverso do quadrado da distância. Em contrapartida é possível provar matematicamente que a intensidade dos campos das tiras magnetizadas na tarja caem com o inverso da distância da fonte ao receptor. Ou seja, constitui-se um efeito antena, de curta e longa atuação. O campo de curta atuação funciona como um background/ruído, e ao colocar o plástico no cartão, aumenta-se a distância do cabeçote à tarja, fazendo com que a razão sinal/ruído (SN) se reduza.

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About Osvaldo 51 Articles

Nascido em Belém-PA (1982), fez seu High School nos EUA em Greenwood, IN (Greenwood Community High School), é casado, bacharel em Física pela Unicamp, Mestre em Física pela Unicamp, experiência no mercado financeiro (em São Paulo).

Possui como hobby e outros interesses: Cosmologia, Física Teórica, Matemática, Economia, Econofísica, Filosofia, Modelagem em Risco de Crédito, Sistemas Complexos (em especial análise de clusterização).

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