Principles of Effective Research

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Tem uma crônica do Michael Nielsen, Principles of Effective Research onde ele fala sobre como ser um pesquisador eficaz e produtivo. São 10 páginas onde ele escreve para si mesmo, expondo algumas idiossincrasias que podem ser generalizadas no meio acadêmico. Parece um pouco de auto ajuda, mas quem não precisa de ajuda, né? Enfim, vou resumir aqui alguns dos principais pontos que me chamaram atenção na crônica (ps.: o artigo é em inglês)

Equilíbrio e bons hábitos

Nesse ponto o Nielsen fala sobre ter bons hábitos, manter a saúde em bom estado, se exercitar frequentemente e manter o equilíbrio entre vida pessoal e a pesquisa, e não se martirizar achando que está perdendo tempo com eventos sociais como jantares de família, social com amigos, festas, etc. E ele falou que manter um relacionamento bom com o cônjuge é fundamental, pois todos os aspectos pessoais influenciam no dia a dia do trabalho, pois quando problemas se acumulam isso tende a tomar muito tempo depois. Então a palavra chave é equilíbrio.

Proatividade e Responsabilidade

Nessa parte, ele comenta que no limite cada um é responsável pelo seu próprio destino, tanto pessoal quanto profissional. De que não se devem usar muletas e encontrar culpados externos como a sociedade, o instituto, os grupos de pesquisa, governos, orientadores, etc. Especialmente quando as coisas não estão dando tão certo quanto esperávamos. Ele chama isso de “desvio de responsabilidade”, e que apesar de satisfazer no curto prazo e apaziguar um pouco a frustração pessoal, isso é muito ruim no longo prazo, pois deixamos de enfrentar os problemas de forma proativa. Ele comenta que devemos sempre ser racionais em identificar nossos problemas e tentar resolve-los de frente, sem procrastinação. O principal influenciador da sua carreira é você mesmo (responsabilidade).

Visão

É importante ter uma visão global da própria carreira, ter objetivos de curto, médio e longo prazos. Saber quais são seus interesses, tanto de pesquisa, quanto de conhecimento, saber que tipo de profissional quer ser, além de ter uma boa dose de pragmatismo, para saber identificar o contexto em que estamos inseridos. Ele dá um exemplo no qual coloca uma pessoa em um emprego ameaçado, e cita que se esforçar para se desenvolver dentro desse emprego é uma perda de tempo, pois a pessoa já deveria ter a visão de procurar algo melhor e concentrar seus esforços nisso.

Disciplina

Este ponto engloba bastante da visão também, pois ele vincula a disciplina e bons hábitos a uma visão clara dos seus objetivos e metas. Que se deve trabalhar de forma constante e inteligente. Não adianta trabalhar longas horas se essas horas não foram efetivas, se houve muita distração e pouco avanço. Ele faz uma comparação com atletas de alta performance, que possuem equipes que os cobram muito por resultados, mas que no meio acadêmico isso não é muito observado, então ele propõe que a pessoa construa uma estrutura que o faça progredir de forma disciplinada, como ter alunos de pós graduação, frequentar seminários, e ter colaboradores produtivos que os instiguem nessa direção. A palavra chave nesse item é honestidade consigo mesmo, pois é preciso ser sóbrio para identificar as próprias fraquezas e hábitos pouco efetivos.

Auto desenvolvimento

É importante ter metas pois isso cataliza o trabalho e otimiza o dia a dia, pois sempre buscaremos os mínimos caminhos para atingir esses objetivos. Criar objetivos tangíveis e simples, é importante pois isso motiva e cria uma satisfação em realizar e atingir sucesso, pois objetivos complexos sempre levam mais tempo e podem ser frustrantes. A ideia não é se livrar de projetos de longo prazo, mas ter em mente que na vida 80% dos nossos sucessos consistem de coisas simples. Realizar pequenas mudanças, é importante estar sempre perseguindo o auto desenvolvimento com pequenas mudanças, e paciência, pois esses pequenos passos são integrados no final em grandes mudanças. Sempre atualizar seus objetivos, aqui entra um pouco da visão, e da flexibilidade e entender que as situações e contextos mudam, e se adaptar a novos cenários é muito importante. Não adianta se enganar e continuar tentando se auto desenvolver em projetos que são claramente infrutíferos. A crônica cita que para ter esse auto desenvolvimento é necessário ter bons hábitos, mas entender que são difíceis de se conseguir (pois são um equilíbrio instável), e que a zona de conforto são hábitos que consomem menos energia, e que esses tendem a ser maus hábitos.

Dualidade Solucionador vs Criador de Problemas

Aqui ele cria dois estados distintos de pesquisadores. No final ele esclarece que as pessoas são uma superposição dos dois, mas estressa os dois individualmente para tirar lições. O Solucionador, em linhas gerais é o mais técnico, com grande quantidade de ferramental sofisticado e geralmente foca em problemas técnicos complexos, mas que não necessariamente são germinadores de nova ciência. O Criador, é mais frívolo, mas foca no “big picture” e procura ter ideias originais, e focar em grandes problemas, desses que podem revolucionar visões e paradigmas e ser marcos na história científica. Ele cita diversas idiossincrasias dos dois estados:

  • Acumular conhecimento técnico sem necessariamente criar coisas novas vs apenas buscar pensamentos originais sem se auto desenvolver em termos de conhecimento já consagrado. Nesse ponto ele cita que é importante ter a disciplina de sempre estudar e se desenvolver tecnicamente, mas que devemos ousar de vez em quando e não ter medo do desconhecido, de não achar que podemos fazer contribuições relevantes sem antes conhecermos tudo da área. Ele comenta que é mais importante lermos com cuidado os 10 artigos mais importantes de nossa área, do que “ler na diagonal” 100 artigos. Há um equilíbrio entre acumular conhecimento, foco em objetivos e pensamento criativo.
  • Querer revolucionar a ciência vs resolver problemas técnicos. Não colocar os ovos em apenas uma cesta resume bem esse tópico. Ele cita que é importante acumular conhecimento e resolver problemas técnicos, porém não tão relevantes, pois apesar de tudo fazer ciência é um trabalho, e nosso pagamento, bolsas, e incentivos todos dependem de nossa produtividade, e são esses artigos, publicações e empreendimentos de curto e médio prazo que nos permitem continuar fazendo pesquisa. Mas ele cita que há metodologias de levar paralelamente grandes projetos, que consiste em separar esse grande projeto em pequenos projetos. Ele cita o Kolmogorov, que fazia isso maestralmente, organizava palestras, dava aulas sobre seus objetos de pesquisa, e sempre conseguia publicar artigos, escrever livros, conseguir novas colaborações, muitas vezes mesmo sem concretizar os grandes projetos. Ele conseguia isso separando suas ideias em metas de curto prazo.

Resumo

  • Ter bons hábitos, boa saúde, bons relacionamentos e a vida pessoal organizada e com bons hábitos
  • Ser proativo, responsável, eficiente e inteligente nas escolhas. Trabalhar duro porém de forma otimizada.
  • Criar metas e objetivos tangíveis e flexíveis, saber se adaptar a novos contextos e realidades. Sempre mostrar seu desenvolvimento em forma de pequenos projetos de curto prazo, e desenvolver rotina saudável de trabalho.
  • Sempre buscar o auto desenvolvimento, se renovando, continuar estudando e sempre acumular novas ferramentas de conhecimento mais sofisticadas, mas não esquecer de tentar criar coisas novas e atacar problemas mais complexos, sem medo de estar despreparado.
  • Não achar que é necessário saber tudo de uma área para fazer contribuições, tentar buscar esses pre requisitos ao mesmo tempo que pensa sobre os grandes problemas e tenta resolve-los, mas não ser displicente e achar que é possível fazer contribuições sem ter o equipamento mínimo para isso.
  • Ser esperto, mostrar serviço, ser organizado e criar metodologias de mostrar seus projetos, trabalhando tanto no curto, médio e longo prazo.
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About Osvaldo 51 Articles
Nascido em Belém-PA (1982), fez seu High School nos EUA em Greenwood, IN (Greenwood Community High School), é casado, bacharel em Física pela Unicamp, Mestre em Física pela Unicamp, experiência no mercado financeiro (em São Paulo). Possui como hobby e outros interesses: Cosmologia, Física Teórica, Matemática, Economia, Econofísica, Filosofia, Modelagem em Risco de Crédito, Sistemas Complexos (em especial análise de clusterização).

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